Em uma fria manhã de Moscou, a renomada psicóloga Dra. Cloe Harris se preparava para mais um dia de trabalho na Clínica Densey quando é apresentada ao seu novo paciente Connor Bouchard, na qual é classificado como PNAN (Paciente submetido a Análise e Acompanhamento - Alta Importância), um estágio considerado raro até mesmo para a própria Psicológia. Connor Bouchard mudará tudo e a todos a sua volta, inclusive a vida da Dra. Harris.
domingo, 4 de setembro de 2016
Capítulo 8: Lições.
Olhei para os lados como se esperasse passar alguma coisa, mas eu não via nada, ouvir a voz de Cloe naquele lugar, fora a melhor sensação daquela semana. Demos as mãos. Pensei em filmes de ficção e se acontecesse "alguma" coisa, Cloe poderia mudar de forma instantânea. Senti a mão de Cloe fria e sua voz indicando ligeiramente um tom submisso, acho que ela percebeu, pois logo pigarreou e começou a falar.
- Bem, vamos, vou mostrá-lo. - ela falou confiante, mas pude sentir algum vacilo, ou talvez não.
Todo aquele vão escuro se foi, era a mente de Cloe, no caso eu era o coelhinho assustado e ela era minha predadora.
- Existem diversas forma de diversificação de uma memória, seja ela boa ou ruim, como por exemplo. - ela parou de caminhar.
Subitamente o cenário mudou de forma instantânea. Eu espera por aquilo, mas mesmo assim me assustou. Entramos em uma porta, lembrava ser uma clínica, mas não a Clínica Densey, alguma e Moscou ou em outro lugar da Rússia. Passamos pela porta e estávamos em uma sala normal, como de qualquer outra clínica, mas... não era uma clínica era como uma delegacia de Polícia. Cloe pareceu saber o quê eu ia perguntar, pois concordou com a cabeça.
- Esse foi meu primeiro trabalho depois que eu me formei na faculdade, tinha acabado de pegar meu credencial e arrumei o emprego no mesmo dia. - ela comentou. - Meu trabalho era recolher um depoimento que o incriminasse.
- E qual foi o crime dele?
- Ele matou dois agentes de campo, ele era sofria de esquizofrenia.
Assoviei de forma prolongada.
- Primeiro caso, um esquizofrênico.
- É fácil confundir qualquer louco com esquizofrênico, Connor.
- Tá, tá. Mas o quê isso vai me ajudar mesmo?
Ela limpou a garganta antes de começar a falar novamente, agora num tom mais formal.
- Como estava dizendo, meu primeiro trabalho e ato como psicóloga. Eu estava nervosa, e parecia que tudo que eu aprendi em quatro anos de estudo e rotina extensa tivessem evaporado da minha cabeça assim que eu vi aquele homem.
Cloe não mentia, a cena através do vidro era essa mesmo.
Um homem com braços e pernas algemadas, de cabeça baixa. Sentada, do outro lado da mesa estava Cloe, talvez uns 5 ou 6 anos mais nova nada, não mais que isso. Não era a Cloe que estava do meu lado. A Cloe atrás do vidro estava meio insegura, apesar de não demonstrar, mas eu sabia, tinha visto minha psicóloga o bastante para reconhecer suas atitudes.O corpo fala.
A cena seguiu-se com a narrativa dela. Vinhemos andando pelo mesmo caminho que tínhamos entrado. Entretanto seguimos caminhos diferentes. Ela a todo momento, me questionava sob meu passado e cada resposta, parecia gerar mais uma dúvida. Era como um debate político. De um lado, eu defendendo a esquerda e ela a direita de um país afundado em corrupção e a sociedade insiste em ser burra e acreditar em políticos. Mas Cloe sabia mover as peças, era quase frustante.
- Você falou sobre diversificação de memórias, quer dizer que eu posso mudar o quê penso? - perguntei.
- Ora. - ela deu de ombros, como se fosse óbvio. - Se você não controla oque pensa, quem controla? -sorriu.
- Se fosse tão fácil assim, eu não iria gastar dinheiro com uma psicóloga.
- Connor, só estou tentando ajudar.
- Certo, lição número um, diversificação, agora. Podemos sair daqui? - disse, já incomodado, mas só agora percebi que Cloe poderia ter acesso ao que eu pensava.
- Um minuto.
Ela tirou algo que parecia um controle de um ar-condicionado do seu jaleco branco, era um dispositivo com um só botão, e ela apertou. De um segundo pro outro, tudo ficou turvo, Cloe sumiu e eu simplesmente cai, sem consciência.
Acordei na mesma sala onde estava com Cloe a uma hora atrás. Vi ela de soslaio, tirando os aparelhos de mim, e pediu para que eu me sentasse na cadeira e fez uma dúzia de checagens básicas para ver se eu não fiquei louco.
- Okey, você está bem... assine isso. - Harris me entregou uma prancheta, sem pensar duas vezes assinei. - Você não ficou louco, ou teve alguma sequela.
Sorrir, olhando para os lados. Ela me olhou desconfiada, me levantei e caminhei pra fora da sala.
- Connor? Aonde vai?
- Que horas termina seu plantão ou seja lá o nome.
- As seis. - ela engoliu seco, pensando no que tinha dito.
- As nove eu te encontro na praça da avenina Kennedy Bridge, esteja lá, Harris.
- Connor, eu não vou sair com você! - ela sorriu debochada.
- Qual foi a última vez que você transou, Cloe? - ela não respondeu, mas sua expressão dizia tudo. - Mora sozinha, cheia de gatos? Ora vamos. Só um jantar.
Cloe Harris não era uma mulher de ficar calada, era de ter a última resposta, eu via nela a cobinação perfeita de morango e champanhe.
- As nove, doutora. - sai, triunfante. Mas temendo a ausência no fim.
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