Era três e meia da manhã quando voltei para casa, por mais que estivesse sob efeitos fortes de toda e qualquer substância alcoólica, não me saia da cabeça diversas formas e motivos, alguns até impossíveis e bizarros. Ela tinha me ligado? Por quê? Isso não saia da minha cabeça. Eu não podia julgar Harris, quer dizer... ela trabalha como psicóloga e deve ser algo estressante lhe dar com pessoas "desequilibradas" emocionalmente ou mentalmente, e iam apenas para ouvir os mesmos malditos sermões.
Era por volta das nove e meia quando a doutora tinha me ligado e mais uma vez sentia martelar meus pensamentos quando tentava entender o porque daquilo. A explicação mais "lógica"que eu tinha naquele momento é que ela queria se divertir, afinal. Fora da clínica ela também tem uma vida social... ou não. Me adiantei com um banho gelado, não comi nada e fui deitar deixando-me ser assombrado mais uma vez por aquele sonho longínquo, eu queria tocá-lo mas estava longe demais. Não tinha uma forma exata mas eu sabia muito bem pelo que ser atraído, tudo.
Havia sempre um deserto extenso e árido, seguia de norte a sul a repulsividade do lugar, seguia para os dois cantos, desolada e silenciosa, exceto pelo uivo solitário do vento. No meio do deserto a natureza se mostrava majestosa e por partes bem fora do comum, pois no meio do deserto se abrigava montanhas com os topos cobertos de neve e vales escuros e tenebrosos, talvez eu seja um pouco sádico e atraído pelo perigo do desconhecido. Há, também, rios que formam corredeiras entre os canyon's; também, tinha, grandes e espaçosas planícies cobertas com areia e neve. Era tudo uma mistura com alto teor psicodélico, mas nada era colorido. Tinha cor e paisagem de como deveria ser, o estranho era apenas calor e frio se juntarem num lugar só ao mesmo tempo.
Aconteceu, antes que me desse conta me via caindo em um poço escuro, eu deveria gritar ou acordar se forma súbita, mas era algo tão reconfortante... tão bom, mas?! Como eu conseguia está ciente de tudo aquilo, como eu sabia que deveria acordar em meio a um sonho, eu estou preso. É algo tão bom quanto o abraço de uma mãe ou da pessoa a amada, como beijar os lábios de alguém que você gosta e sabe que vai ficar bem com aquilo. Por mais que hesitasse eu não queri acordar, mas eu queria, queria. Fique, fique, FIQUE! A voz não existia, mas eu insistia em ficar.
Quando finalmente me dei conta estava de olhos abertos e o pescoço travado em cima da cama, meu travesseiro estava bem molhado, eu tinha suado muito durante todo esse tempo. O relógio marcava seis e quarenta e sete da manhã, dois minutos de sonhos equivaleram boas horas aqui fora. Eu já sabia o que tinha que fazer e resgatei meu celular do chão, no pé da cama e liguei pro último número que havia me ligado. Houve de quatro a cinco chamadas antes de Cloe me atender. Sinceramente eu estava esperando não ser atendido ou ser atendido com uma resposta bem fria e ríspida mas tudo que veio foi.
- Connor? - parando finalmente para notar a voz de Cloe era suave e chamativa.
- Doutora?
- Sim? - ela respondeu do outro lado da linha. Não soava ríspida mas eu captava bem os graves de frieza em sua voz, talvez eu merecesse aquilo.
- A senhorita já está acordada?
- Eu geralmente acordo cedo, daqui a uma hora vou para clínica. Francamente Connor, me ligou para perguntar se estou acordada e não leve a mão, formalidade é apenas no trabalho.
Ficamos por poucos segundos em silêncio, eu esperei que ela dissesse mais algo, mas nada aconteceu.
- Douto... digo, Cloe. Aconteceu denovo.
- O quê aconteceu? - ela parecia um pouco mais ansiosa.
- O sonho... tive ele hoje,
- E não pode esperar para a consulta de amanhã? Eu não faço consultas na casa dos meus pacientes.
- Eu vou ser bem direto. - endireitei a postura e suspirei, antes e falar - Está fazendo cinco graus, todas as manhãs de Moscou são geladas, e eu acordei com meu travesseiro molhado de suor, não é normal você ver uma pessoa suada nesse frio maldito e acredite doutora... eu não ligo pra uma mulher a não ser que seja de extrema importância e além do mais, não estou querendo atenção e sim ajuda.
Me surpreendi quando ela ainda estava na linha.
- Aqui está meu endereço. Rua dezesseis 390, bairro Nigthgale. Próximo ao décimo sexto distrito policial e... eu vi sua tatuagem no pulso, você fez no mesmo estúdio que eu trabalho. Eu moro duas ruas atrás do estúdio.
Desliguei o celular sem esperar sua resposta, mas ainda sim esperado veemente sua chegada.
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